Especial #3 Mudanças no Facebook: marketing digital, a resposta para a queda do alcance orgânico

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O Facebook, por meio de seu fundador e CEO Mark Zuckerberg, anunciou nesta sexta-feira, 12, mais uma mudança no algoritmo que gera o Feed de Notícias dos usuários da Rede Social. O Feed de notícias, ou Timeline, são a lista de publicações que o Facebook seleciona para aparecerem na página inicial de cada pessoa. Essas publicações vão desde fotos de amigos e parentes; a posts realizados por páginas curtidas pelo usuário ou, até mesmo, anúncios pagos e direcionados pelo próprio Facebook. A informação do fundador foi realizada por meio de seu próprio Facebook. A alteração nos dados do algoritmo é pelo menos a quarta grande mudança na rede em dois anos.

Pensando nestas mudanças o PLAY1 produziu para você uma série de sete reportagens especiais que irão ao ar diariamente no portal, aprofundando o tema sobre diversas óticas: desde como o Facebook deve passar a funcionar; a quais seriam as melhores estratégias para não ficar para trás. A terceira reportagem da série especial avalia, junto do especialista do jornalista e Estrategista Digital Fred Perillo, o Facebook como empresa ao realizar estas mudanças e o Marketing Digital no Brasil.

A empresa Facebook

Dentre os diversos impactos das mudanças no algoritmo do Facebook a maior preocupação das empresas, figuras públicas, candidatos e partidos é a forte queda no alcance Orgânico. Como empresa a rede tende a ganhar mais com anúncios pagos e agradando o público.

De acordo com o Especialista Fred Perillo a queda no alcance é algo que já era fortemente sentido e quase natural da rede. “A, praticamente, extinção do alcance orgânico mostra que o espaço cedido às páginas é uma coisa que caminha para o fim. Não é uma coisa de agora. Eles só não queriam e não querem assumir uma ação tão rigorosa para não assustar as pessoas. É a hora de medir como isso afeta a rede”, explica.

Para ele a empresa Facebook caminha na direção certa com essa ação. “Se para nós isso é algo ruim, para a empresa é a decisão correta. As redes sociais devem ser para as pessoas interagirem, se relacionarem. Por isso até mesmo o foco que a empresa passa a dar aos familiares. Nós, páginas, entramos de gaiato na rede. Aproveitamos enquanto deu”, defende. “Naturalmente o Facebook precisa também aumentar o faturamento e o crescimento de usuários. Com tantas redes por aí, o Facebook estava perdendo o interesse das audiências. Dividindo espaços com outros canais. É preciso também crescer em tempo de navegação e em quantidade de usuários. Para a sobrevivência da rede”, defende.

Fred Perillo é jornalista e Esrategista Digital.

O papel das redes sociais

Segundo Perillo, as redes sociais são espaços criados para debates e difusão de ideias, mas o marketing digital não deve se ater às redes sociais. “O universo rede social é como uma conversa de mesa de bar. Todos estão no bar. Se você quiser falar com as pessoas tem que ir para lá. Estão falando sobre tudo e está uma grande gritaria. Você não é facilmente ouvido. As regras são do dono do bar. A ideia é ir nas pessoas, conversar um pouco e depois chamar para um cafezinho na sua casa, onde as regras são suas. É o caso dos portais, dos blogs, até mesmo de páginas pessoais ou fóruns de debates” compara.

Em sua visão, Perillo traz uma forte crítica ao modo de se fazer política no universo digital, principalmente em termos de qualidade. “As pessoas precisam aproveitar os canais próprios. Não dá para convencer pessoas, difundir ideias, com quatro ou cinco linhas em uma rede social. Muito menos com textão. É importante o candidato ter propostas, ideias claras para que sua equipe abasteça um portal ou blog por exemplo”, ensina. “Trago essa visão negativa dos políticos, principalmente dos marqueteiros. Claro que existem políticos que o fazem muito bem. Chamam as pessoas nas redes sociais para suas páginas e lá discutem com uma geração forte de conteúdo de qualidade. Outros fazem apenas redes sociais e fazem praticamente um desserviço ao marketing digital”, reclama.

No entanto, a principal dificuldade é garantir o tráfego e o alcance das pessoas à essas páginas. Para Perillo, somente hábito de produção e qualidade mudariam essa realidade. “Sites responsivos, adaptados à smartphones e tablets, com hábito de geração de conteúdo farão diferença no marketing digital e na comunicação para as Eleições 2018. 90% ou mais dos atuais portais dos políticos são pessimamente administrados. Não tem CEO, não tem indexação no Google e muitas vezes não tem nem conteúdo. Os próprios políticos falham nisso”, aponta. “Não há como consumir o que não é produzido. A mudança de hábitos na geração dos conteúdos ajudará a mudar os hábitos das pessoas ao navegarem nestes conteúdos”, projeta.

Formato do conteúdo e Fla-Flu político

Em sua visão, Perillo defende fortemente trazer o povo ao centro do debate e o fim do politiquês nas campanhas políticas. “Hoje os políticos têm forte rejeição. Cerca de 15% dos eleitores são de direita, 15% de esquerda e os outros 70% são eleitores cinza, que muitas vezes rejeitam os próprios políticos. Precisamos abandonar essa comunicação de mão-única e furar essa bolha. Despolitizar a cobertura. Trazer o povo para o foco dos debates”, explica. “O caso Macri, na Argentina, deve ser tomado como grande exemplo. Ele traz o povo para o debate, escutando as pessoas. Deixando que elas criem os conteúdos”, compara.

Para ele, o hábito jornalístico nas coberturas também tem atrapalhado a evolução das campanhas digitais. “Geralmente os assessores são todos jornalistas. Isso não é uma crítica, por que eu também sou.  Mas precisamos seguir as linhas adequadas. Os textos precisam ser muito mais publicitários e agradáveis que informativos. A crise também atrapalha, bem como a falta de bons profissionais”, analisa. “Temos é claro que aproveitar ao máximo o potencial das redes. Inclusive o do impulsionamento pago que atinge grandes públicos por preços acessíveis. Mas com inteligência. Com públicos alvos certeiros e bem segmentados. E trazer o debate para ‘dentro da nossa casa’, nos blogs”, ensina.

O papel das Agências de comunicação

O Play1 também escutou o marqueteiro digital e especialista em campanhas eleitorais Marcelo Senise. Para o marqueteiro a maior dificuldade das agências é lidar com a alta demanda. “Muitas vezes fazemos de tudo para acompanhar as tendências e seguir os modelos. É muito difícil ter um profissional gerador de conteúdo para os portais, outro para redes sociais, outro para vídeos e ainda pensar em formato, indexação, pesquisa, cuidar da parte de informática dos processos e atender tantos clientes e fazer tudo com qualidade”, lamenta. “Para nós, como Social Play a solução é buscar bons profissionais, que sejam multiuso e multi-função como é a nossa ferramenta MultiPlay. Mas também valorizá-lo e fideliza-lo”, defende.

Segundo ele, o profissional adequado traz resultados expressivos, e retorno de qualidade e satisfação dos clientes. “Ter um bom profissional com certeza dá menos trabalho que trabalhar com gente fraca. Os clientes gostam, o trabalho fica bom. Quando a pessoa entende o processo e a forma que a empresa pensa, a resposta é muito mais imediata”, compara. “Fidelizar o profissional em um primeiro momento é mais importante que fidelizar o cliente em si, por que uma vez que o profissional veste a camisa, ele próprio trabalha para deixar o cliente feliz. Cliente feliz é cliente fiel. O problema é competir financeiramente com outras empresas. Todo mundo quer funcionário bom, ninguém quer problema”, brinca.

Guilherme Rocha

Play1

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