Especial #6 Mudanças no Facebook: Marcelo Vitorino fala sobre FakeNews, o universo da boataria na internet

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Finalizando a série de reportagens do Play1 sobre as mudanças realizadas no algoritmo do Facebook, realizamos um bate-papo com o maior especialista do País em FakeNews, Marcelo Vitorino, e também conversamos com o Marqueteiro político e digital, proprietário da agência Social Play, Marcelo Senise.

FakeNews, como é conhecido de forma geral, é um conjunto de informações e boatos, divulgadas sem fontes confiáveis ou confirmações, ou geralmente inventadas ou falsas. A principal característica de uma FakeNews é sua característica de desconstrução de credibilidade ou de imagem do seu alvo.

Mas não só isso, segundo o marqueteiro Marcelo Senise as FakeNews muitas vezes fazem parte do universo de estratégias de Agências de publicidade que gerenciam contas de políticos. “FakeNews não é somente criar boatos e mentiras, mas também potencializar fraquezas do oponente. Requentar informações ou trazer a tona informações de erros do passado, por exemplo. Isso também papel de uma agência”, explica.

Monitoramento

Ele defende que para lidar com essa boataria a principal ferramenta é o monitoramento. “Monitorar atividades nas redes sociais é estar à frente das informações privilegiadas, em canais relevantes. Isso, atrelado a uma boa estratégia, possibilita a construção de um sistema eficiente de blindagem e crescimento”, ensina.

Na visão de Senise, é importante também monitorar o trabalho dos adversários e oponentes dentro de uma mesma disputa. “Os adversários estão muito mais dentro da coligação partidária que fora. Principalmente quando o partido é grande e tradicional. É importante monitorar esses adversários para estar muito bem no geral e ter um padrão de avaliação de como se sobressair em sua chapa, em relação aos demais. Para nós da Social o objetivo é a inovação e a novidade, isso faz a diferença na corrida. É importante se proteger, mas também crescer”, defende.

Para o marqueteiro as tecnologias serão o grande diferencial no pleito de 2018, seja para o combate ás FakeNews, seja para comunicar com mais eficiência. “A social play cria o braço MultiPlay como sistemas de disparos e pulverização de conteúdo. Ele garante a disseminação de um conteúdo de qualidade”, avalia. “O mais importante é a segmentação do banco de dados, com nichos específicos. Segmentação da comunicação política, com uma comunicação refinada, cirúrgica”, finaliza.

Marcelo Vitorino é é consultor de comunicação, professor de marketing politico digital pela ESPM e pela Presença Online.

FakeNews e plataformas digitais

Com o objetivo de detalhar ainda mais o tema, o Play1 fez um bate-bola com o especialista em FakeNews Marcelo Vitorino. Ele também é consultor de comunicação, professor de marketing politico digital pela ESPM e pela Presença Online.

Vitorino participa de diversos palestras, debates e entrevistas sobre o tema como no caso do seminário FakeNews e Democracia no Congresso Nacional, motivado pelo presidente da Casa, senador Eunício Oliveira, organizado pelo Conselho de Comunicação Social do Congresso, onde discutiu o tema FakeNews e plataformas digitais.

PLAY1: Geralmente, pela profundidade das redes e quantidade de usuários, muitas vezes só se tem acesso a falsos boatos depois que eles estão grandes. Como ter acesso às FakeNews que estão sendo disseminadas, ainda no princípio, e como blindar um candidato político de boatos?

Marcelo Vitorino: Quando sou contratado por uma campanha, uma das minhas primeiras ações é entrevistar o candidato e fazer uma pesquisa rigorosa sobre ele, família, relacionamentos políticos, amigos, inimigos e outras questões. O objetivo é orientar a produção de conteúdo que sirvam de vacinas para futuros ataques e boatos. Esse trabalho inicial é fundamental, pois em campanha não há tempo para reagir de forma inadequada ou tentar entender o que está acontecendo.

PLAY1: Como a justiça eleitoral deve trabalhar para identificar e evitar a atuação dos boatos?

Marcelo Vitorino: De forma muito simples, combatendo o anonimato em plataformas. O Facebook, por exemplo, pode ser notificado para realizar uma grande ação de validação dos seus perfis e isso já será um passo enorme. Outro ponto é ficar de olho em empresas que disparam WhatsApp em massa.

PLAY1: Muitas pessoas trabalham profissionalmente na elaboração de FakeNews. Como identificar, impedir, punir e inibir a prática?

Marcelo Vitorino: Impedir a elaboração é impossível, mas é possível coibir, alterando a legislação, punindo com mais rigor quem contrata e quem é contratado para promover boatos. Aumentando a qualificação dos crimes contra a honra cometidos em ambiente virtual, bem como, o valor do dano moral quando usados os meios eletrônicos para divulgação.

PLAY1: Notícias, muitas vezes bem antigas, são “requentadas” e utilizadas para produzir notícias falsas. Existe uma maneira específica de evitar isso?

Marcelo Vitorino: Não dá para evitar o uso, mas o candidato pode fazer uma medida preventiva, tendo um ou mais sites bem produzidos tecnicamente, e com conteúdo que preencha as primeiras posições no Google. Para isso é preciso conhecer bem as técnicas de SEO e ter um bom redator que entenda de conteúdo político, de comunicação e de tecnologia.

PLAY1: Qual o papel da militância online no combate às FakeNews?

Marcelo Vitorino: Creio que não existe melhor forma de combater um boato do que ter um bom número de pessoas que têm afinidade com o candidato, conhecimentos básicos de tecnologia, e que sejam facilmente ativadas por comandos. Dito isso, considero o elemento fundamental para que um candidato consiga sobreviver a um grande ataque de boatos, principalmente porque o tempo de televisão é muito curto e ainda tem alguns dias entre o fim da propaganda eleitoral gratuita e o dia da votação.

PLAY1: Como especialista, faça suas considerações finais sobre o tema. Ao final, por favor, peço que especifique sua área de atuação, sua especialidade ou especialização, seu título (como mestre ou doutorando, por exemplo) e como gostaria de ser chamado na reportagem.

Marcelo Vitorino: Os candidatos precisam entender que a dinâmica das campanhas mudou com a última reforma eleitoral, transformando o celular no que era a televisão nos anos noventa. Em uma guerra de informação, vence aquele que conseguir entregar um bom conteúdo, no tempo certo, no formato adequado, para as pessoas certas. Para isso funcionar não há outro caminho que não seja por meio de profissionais qualificados, com experiência na política, na comunicação e no uso da tecnologia. Com isso em mente, os candidatos devem rever seus orçamentos, pois o digital não é mais aquele digital de dois anos atrás, o de hoje é o melhor caminho para o trabalho de mobilização e engajamento, o que demanda algo entre 10% e 30% do total de recursos de uma campanha, quando somamos investimentos em mídia, tecnologia e recursos humanos.

Play1

Guilherme Rocha

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