Macron defende bombardeios e afirma que França não declarou guerra à Síria

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epa06558680 France's President Emmanuel Macron gives a statement to the media after the informal meeting of the 27 European Heads of States and Governments in Brussels, Belgium, 23 February 2018. The 27 European Heads of States of Governments met for a high level conference on the Sahel zone and discussed the new composition of the European Parliament after the so-called 'Brexit' and a post-2020 EU budget for several years. EPA/JULIEN WARNAND

O presidente da França, Emmanuel Macron, assegurou neste domingo que o bombardeio na madrugada de ontem sobre supostas instalações químicas na Síria não representa uma declaração de guerra ao regime do presidente Bashar al Assad, mas uma defesa do direito internacional e das resoluções da ONU.

Em entrevista de mais de duas horas e meia no horário de maior audiência da televisão francesa, Macron defendeu a legitimidade dos bombardeios seletivos e argumentou que a operação era “indispensável para recuperar a credibilidade da comunidade internacional”.

A ofensiva pretendia “intervir de forma legítima no marco multilateral” e não fazer uma declaração de guerra à Síria, declarou Macron em entrevista à emissora “BFMTV”, na qual diferenciou os bombardeios conjuntos com Estados Unidos e Reino Unido contra a Síria das campanhas bélicas na Líbia e no Iraque.

“Tivemos êxito no plano militar: todos os mísseis lançados atingiram seus alvos, as capacidades químicas do regime sírio foram destruídas e não houve nenhuma vítima colateral”, disse Macron.

“Atuamos para que não se viole mais o direito internacional, assim como as resoluções da ONU”, acrescentou, lembrando que em setembro de 2013 o Conselho de Segurança aprovou uma resolução que autorizava o uso da força em caso de uso de armas químicas na Síria.

Para o presidente francês, após o último ataque supostamente com cloro em Duma, no dia 7 de abril, “tínhamos chegado a um momento no qual o bombardeio era indispensável para poder devolver a credibilidade à palavra da comunidade internacional”.

Em determinado momento da conversa marcada por uma forte tensão, Macron interpelou seus dois entrevistadores: “Vocês ouviram que declaramos guerra a Bashar al Assad? Não. Essa é a diferença a respeito do que se fez na Líbia ou no Iraque”.

Para Macron, a ofensiva contra três supostas instalações químicas permitiu também aos países ocidentais “recuperar a credibilidade perante os russos”, a quem culpou de serem “cúmplices” no fracasso da comunidade internacional em evitar o uso desse tipo de armamento na Síria.

“Os russos bloquearam constantemente as votações (no Conselho de Segurança). São cúmplices. Não utilizaram o cloro, mas construíram metodicamente a incapacidade da diplomacia internacional”, criticou Macron.

Encerrada por enquanto a fase militar, o presidente francês ressaltou a importância de dar um novo impulso aos esforços diplomáticos para encontrar uma solução política negociada à guerra síria.

Segundo Macron, o único compromisso militar que a França tem na Síria é a luta contra o grupo terrorista Estado Islâmico, que está por trás dos principais atentados que o país sofreu nos últimos anos.

Nesse sentido, afirmou orgulhoso ter convencido o presidente americano, Donald Trump, de manter sua presença militar na Síria, apesar de este ter anunciado sua intenção de retirar suas tropas.

Macron defendeu que o papel da França na crise síria é “poder falar com todo o mundo”, razão pela qual disse que tentará convencer Rússia e Turquia a participar de conversas que alcancem uma solução política pactuada.

A entrevista de hoje representou a primeira aparição pública do presidente francês depois dos bombardeios, sua primeira ordem dessa envergadura no terreno militar desde que ganhou as eleições presidenciais há agora um ano.

O parlamento francês realizará amanhã um debate, em uma sessão sem votação, para abordar o bombardeio no qual participaram as forças armadas francesas.

Boa parte da oposição, desde a esquerda radical de Jean-Luc Mélenchon à extrema-direita de Marine Le Pen, passando pelo líder dos conservadores, Laurent Wauquiez, tem se manifestado publicamente contra a intervenção francesa e acusado Macron de atuar sob as ordens dos Estados Unidos.

Agência EFE.

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