O início do fim

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A última rodada (32ª) do Campeonato Brasileiro mostrou que o sistema de pontos corridos ainda pode dar frutos.  Sistema esse tão criticado pelos ávidos fãs do mata-mata e da decisão em jogos com cara de final, e tão protegido pela CBF.

Com apenas seis pontos de diferença entre o líder Corinthians e o então vice-líder Palmeiras, o resultado da partida seria decisivo para a graça na disputa pelo troféu do Brasileirão 2017, podendo até mesmo ser disputado ponto a ponto.

Por infortúnio do destino, os deuses do futebol quiseram que o campeonato se encaminhasse para um final não tão dramático, afinal deu Timão. Agora cabem a Grêmio e Santos a missão de tentar colar no líder, já o Palmeiras – definitivamente – vai precisar correr por fora.

Em compensação, há anos não se via uma disputa ponto a ponto entre tantas equipes em disputa pelas três vagas restantes da Libertadores. Entretanto o antigo G4 (onde a quarta vaga era para a Pré-libertadores), que já no início do ano era G6 e a essa altura do Campeonato, com o título da Copa do Brasil levado pelo Cruzeiro, é G7; pode virar até G9. Basta o esperado título de uma equipe brasileira nas competições sul-americanas, uma vez que o futebol local tem o maior investimento do continente: Grêmio na final da Libertadores contra o Lanús e o Flamengo nas semis da Sulamericana. O feito não ocorre desde 2013 com o Galo na Libertadores*.

Por falar G9, até mesmo o São Paulo, que estava na Zona da degola, com três vitórias consecutivas agora já briga por uma vaga, mesmo em nono lugar, com 42 pontos.  Botafogo (48 pontos), Flamengo (47), Vasco (45), São Paulo (43), Bahia (42), Fluminense (42), e até a própria Chapecoense com 40 pontos, e em 12º, ainda têm chance.

Se por um lado mais times tem interesse nesta reta final de campeonato e evitarão o empurra-empurra com a barriga; e as tão comuns malas pretas, brancas, verdes e vermelhas; a quantidade de vagas tira um certo brilho antes conservado pela Libertadores, agora democratizada e enorme desde a sua fase preliminar.

Hoje o campeonato está dividido em apenas três blocos: a briga pelo título; a disputa pela Libertadores (quase um centrão a lá Congresso Nacional); e o prêmio de consolação para quem não cair: a vaga na sulamericana,  disputado até mesmo pelo vice-lanterna Avaí. Quanto ao lanterna Atlético Goianiense… Deixa pra lá.

Se o sistema de pontos corridos tem jeito, é pelo equilíbrio. Muitas vezes por baixo. Pelo longo calendário, pela falta de peças de reposição para as lesões. E principalmente pelo poupa-poupa e priorizações de competições paralelas e bem mais diretas. Quem diria… A outrora menina dos olhos da CBF, agora apenas mais uma. Que fase Brasileirão.

Se há uma certeza que ainda paira na competição deste ano: é que a última rodada ainda deve reservar alguma emoção. Os aparelhos dos pontos corridos ainda estão ligados e o sistema ainda respira

*A coluna não considerou o lamentável episódio ocorrido com a Chapecoense, onde o Atlético nacional para efeito deste cálculo, uma vez que o então investimento da equipe catarinense não era um dos maiores da competição.

Guilherme Rocha

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