Pastora, mãe de crianças carbonizadas, também é presa; Procuradoria afirma que ela sabia dos riscos

0
223

Luís Alves

O País

A pastora Juliana Pereira Sales Alves, mãe das duas crianças que morreram carbonizadas em Linhares (ES), foi presa em Teófilo Otoni (MG) na madrugada desta quarta-feira, 20. Os meninos de três e seis anos foram vitimados pelo incêndio em seu próprio quarto. De acordo com as investigações sobre o caso, o pai dos garotos e esposo de Juliana, o também pastor George Alves, é acusado de estuprar, agredir e depois atear fogo no filho e no enteado enquanto estavam ainda vivos.

George Alves, marido dela, está preso desde o dia 28 de abril e foi indiciado por duplo homicídio triplamente qualificado, duplo estupro de vulneráveis e por tortura, ao colocar fogo nas crianças ainda vivas. A prisão do pastor ainda é temporária e o julgamento definitivo ainda não tem data para ocorrer.

O pedido de prisão, apesar da declaração inicial da Polícia Civil de que a mãe não tinha participação no crime e não era investigada; foi justificado pelo Ministério Público do Espírito Santo (ES) como omissão.

A prisão

Segundo informações da polícia local, Juliana estava escondida na casa de um pastor que é advogado da família. A casa seria a mesma que Juliana estava no momento da morte dos filhos mais velhos.

No momento da prisão, a pastora acompanhava o filho de um ano e um mês. A criança foi encaminhada para o Conselho Tutelar. Juliana foi transferida para a delegacia de Teófilo Otoni (MG) de onde será levada para o presídio da cidade e – posteriormente – para Linhares (ES) até o final do dia.

Versão da procuradoria

De acordo com a procuradoria do Ministério Público da Cidade, a omissão da pastora, mãe das crianças, equivale aos crimes pelos quais o marido e também pastor George Alves é acusado.  Para o MP local, a mãe tinha pleno conhecimento dos riscos e tinha condições de evitar o desfecho trágico da história e – ao se recusar a agir como uma mãe – assumiu os riscos que vitimaram a vida dos filhos de forma tão violenta.

Segundo o órgão, a denúncia contra o casal já foi aceita. No último dia 5, um novo pedido de investigação foi realizado para esclarecer pontos sobre a investigação.  Para a apuração Juliana Sales tinha “pleno conhecimento do desvio do caráter do marido, da relação conturbada que ele tinha com a própria sexualidade e do menosprezo com que ele tratava o enteado e o filho”.

Os fatos até aqui

*No dia do incêndio que vitimou os filhos, a pastora disse que estava em um congresso na cidade de Teófilo Otoni (MG) com o filho mais novo do casal.

*No dia do enterro dos filhos, Juliana estava acompanhada de parentes e da polícia. Ela já tinha solicitado escolta alegando motivos de segurança.

* De acordo com as investigações ela estava escondida na casa de um pastor que é advogado da família.

* No momento da prisão, ela estava com o filho de 1 ano e um mês. A criança foi encaminhada para o Conselho Tutelar e depois ficou sob os cuidados da mulher do pastor, amigo de Juliana.

Supervisão Guilherme Rocha

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here