Preparatórios para concursos gratuitos muda a vida de jovens de regiões carentes

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Com professores voluntários, média de aprovação chega a 30%.

Cursinhos que preparam para concurso público, gratuitos, e voltados para alunos de baixa renda em regiões carentes do Distrito Federal, com chances reais de aprovação. Parece coisa de filme, mas não é.

Essa é uma realidade pensada por alguns servidores públicos da Capital e de advogados e empresários bem sucedidos do DF. É o caso da advogada e professora Carol Camargo, proprietária de um grande escritório de advocacia em Samambaia. Há três anos, com desejo de realizar um trabalho social voltado para a comunidade onde trabalha, decidiu retribuir com seu conhecimento um pouco dos frutos que tem recebido da cidade.

Em parceria com a Paróquia Beato José Alamano, de Samambaia Sul, se uniu a um grupo de advogados para preparar jovens estudantes da região para provas de concurso público. Assim nasceu a Real Cursos.

O cursinho funciona ainda hoje em uma sala cedida pelo padre da igreja e sem nenhum tipo de apoio financeiro da administração. Atualmente o preparatório conta com 12 professores. Todos voluntários. A cada quatro meses, 60 alunos da recidade e entorno formam turmas para concursos específicos. Segundo a coordenação do curso, o índice de aprovação varia entre 20% e 30%.

Alunos da Real Cursos vem da Samambaia, do Riacho Fundo, do Recantos das Emas e da Ceilândia. Todo o projeto é gratuito.

Questionada sobre a motivação que leva ao alto nível de rendimento, a professora Carol não hesita em responder “os melhores alunos vão para o outdoor aqui perto”. Segundo ela, os alunos são o diferencial do projeto. “Nós ajudamos os alunos a entender que não precisa de grande investimento financeiro para mudar de vida. A maior mudança vem da dedicação. Não de fora para dentro, mas deles mesmos. Todos nós podemos alcançar nossos sonhos”, ensina.

A situação se repete em outras regiões administrativas como Samambaia Norte, Planaltina/DF, Planaltina/GO, Ceilândia e Guará.

O projeto Amigos do Concurso, fundado há seis anos por um grupo de amigos servidores públicos segue a mesma fórmula de sucesso. Segundo a professora Bia, coordenadora do módulo de Planaltina/DF, a ideia surgiu para ajudar amigos próximos a estudar para concurso. “Tínhamos um grupo de seis ou sete amigos, daqueles que a gente vai na casa para pegar manga, e queríamos ajuda-los a passar como a gente tinha passado”, lembra.

Ela também conta que o projeto começou com apenas seis professores, todos amigos próximos, sem nenhuma pretensão. “Eu recebi o convite do professor Charles e do Rodrigão e ajudava a resolver questões de arquivo. Éramos apenas seis.”, conta.

Hoje, o projeto atua em pelo menos quatro cidades e atende mais de 350 alunos e mais de 35 professores. Todos voluntários. “Fechamos uma turma específica aqui em Planaltina com 150 alunos. Em todo esse tempo devemos ter mais de 100 aprovações. Inclusive boa parte dos alunos que passaram por aqui voltam para dar sua experiência e ajudar a motivar os demais. Voltam até mesmo para dar aula como um dia receberam”, explica.

Segundo a coordenadora só na última turma, 10 alunos, foram aprovados no concurso da PMGO, com direito à primeira colocação no Pólo de Formosa. “Sou muito grata pelo projeto. Pelos sorrisos que recebo. Grata como pessoa e como servidora. Mostramos na prática que não precisa investir muito. Basta se dedicar. É sensacional ver os alunos passarem, mudarem de vida e serem felizes”.

Comum aos dois projetos e outros tantos pelo DF está o advogado e professor Paulo Fernando. Há mais de 15 anos como professor de Direito Constitucional, Paulo se uniu à equipe de voluntários desde o início do Amigos do Concurso.

Com professores voluntários, média de aprovação chega a 30%.

Conhecido por seus alunos pelo fervor em suas convicções políticas de defesa da vida e pela paixão incondicional ao Botafogo, Paulo explica a importância de projetos como esse. “Muitas vezes o Estado permite lacunas que afastam muito a realidade e as oportunidades de quem tem dinheiro e de quem tem poucas condições. Nesses espaços deve entrar a cidadania. O reconhecimento de que nós precisamos fazer diferente não só nas urnas, mas no dia-a-dia, com nosso trabalho”, defende.

Segundo ele, qualquer um pode participar do projeto, mas ter paixão pelo que faz é fundamental. “Sempre digo que sou Advogado por profissão, jornalista por atuação e professor por vocação. Penso que amar o próximo e ter esse concreto desejo de ajudar as pessoas faz com que ensinar, transmitir conhecimento e experiência dê resultados. Precisamos nutrir esse desejo real de mudar o mundo e fazer a diferença. Esse desejo, unido a atos concretos faz milagres” garante.

Guilherme Rocha

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