Talibãs ameaçam Trump com mais violência após recusa dos EUA a dialogar

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Republican presidential candidate Donald Trump speaks at a rally at the Fort Worth Convention Center on February 26, 2016 in Fort Worth, Texas. Trump is campaigning in Texas, days ahead of the Super Tuesday primary.

Os talibãs ameaçaram nesta terça-feira (30) o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com mais violência, depois que o governante norte-americano descartou ontem a possibilidade de dialogar com o grupo insurgente após os recentes ataques no Afeganistão.  A informação é da Agência EFE.

“Trump e seus aliados favoráveis à guerra deveriam entender que cada ação tem uma reação e, se insistir na guerra, a nação muyahid não poderá recebê-lo com flores”, afirmaram os talibãs em um comunicado enviado à Agência EFE.

Após a recusa americana ao diálogo, “a responsabilidade da guerra e o derramamento de sangue recairá agora sobre suas costas”, sublinharam na nota os insurgentes, que até agora rechaçaram sistematicamente todas as chamadas ao diálogo do Governo afegão.

“Ainda que o nosso inimigo só insiste na guerra, acreditamos que a resistência imbatível e a paciência infinita de nossa nação fará com que os invasores aceitem a verdade e se sentem na mesa de negociação”, assegurou o grupo liderado pelo mulá Haibatullah.

Apesar disso, os talibãs insistiram que o Afeganistão “tem uma longa tradição de vitórias contra os invasores arrogantes”, por isso que a recusa de Trump a negociar ajudará a “multiplicar as perdas humanas e materiais dos militares (norte) americanos”.

Trump afirmou ontem durante um almoço na Casa Branca com os embaixadores de países-membros do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas os Estados Unidos (ONU) não querem “dialogar com os talibãs”.

“Pode ser que haja um momento (para o diálogo), mas vai ser dentro de muito tempo”, acrescentou Trump, após a morte no sábado de 103 pessoas em um atentado perpetrado pelos talibãs com uma ambulância em Cabul que deixou, além disso, mais de 200 feridos.

O Governo afegão impulsionou várias iniciativas de diálogo nos últimos três anos chamando os talibãs a participar de uma solução negociada no conflito que começou após a invasão do país por parte dos Estados Unidos em 2001.

Tanto o Processo de Cabul, um mecanismo lançado com o respaldo da ONU e da comunidade internacional após um atentado em maio do ano passado que deixou 150 mortos na capital afegã; como a iniciativa do Grupo a Quatro (G4) na qual participam Afeganistão, Paquistão, China e EUA, foram rejeitadas pelos talibãs.

Há algumas semanas, o Governo afegão revelou que iniciou um processo de aproximação com facções talibãs na Turquia visando iniciar um processo de paz, uma opção que de novo o principal grupo talibã, liderado por Haibatullah rechaçou.

Os talibãs fizeram um contato inicial com o governo afegão no Paquistão em julho de 2015, mas o processo foi suspenso poucos dias depois perante a decisão do governo afegão de anunciar então que o mulá Omar tinha morrido dois anos antes.

Esse anúncio levou a uma disputa interna entre os talibãs, que se dividiram em vários grupos internos chegando inclusive a enfrentar militarmente uns aos outros.

Agência Brasil

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